PEQUENO TEATRO AD USUM DELPHINI VANITAS

PEQUENO TEATRO AD USUM DELPHINI VANITAS

SINOPSE

Pequeno Teatro Ad Usum Delphini Vanitas

Museu da Marioneta

17 Junho a 8 Julho, vários horários

+14 anos

Lotação reduzida. A chegada ao Museu deve efectuar-se 15 minutos antes do horário da sessão. Não será permitida a entrada na sala após o início da sessão. 

 

Este é um espectáculo que nasce do tempo do confinamento, quando o isolamento nos devolveu uma imagem sem disfarces do nosso quotidiano. Perante a ameaça da doença e da morte, perante a evidência de como o essencial da vida (as relações humanas) está camuflado no vazio do dia a dia que a sociedade que herdámos nos permite, não sentimos falta de cultura. Sentimos falta de alegria verdadeira, de generosidade, falta uns dos outros. Ficou bem claro que a cultura não é, como parece, distracção ou passatempo, não é riqueza, é a prática do que define um ser humano, o pensamento, o amor.

 

E tivemos saudades, lembrámo-nos doutros tempos, de coisas que tinham formado a  nossa personalidade. Lembrámo-nos do Dom Quixote de Cervantes, um dos grandes textos da Cultura Ocidental que todos julgam que faz parte da cultura geral básica de todo o mundo civilizado, aquela parelha que até tem estátua na Praça de Espanha de Madrid e que é emblema para o povo espanhol: Dom Quixote e Sancho Pança. Mas não, não é nesse molhado que chove (e chora) o espectáculo que daí surgiu. Com o trabalho de um Sancho e um Quixote nascidos da nossa amizade, tornámos os diálogos de dois dos mais famosos episódios desse maravilhoso livro num pequeno teatro íntimo, onde além dos dois anti-heróis maravilhosamente expostos na sua solidão, passam os actores de uma companhia ambulante. E um pseudo-diabo, um negociante que mostra um retábulo de marionetas que faz explodir a generosidade antiga do cavaleiro andante. 

 

É um Pequeno Teatro ad usum delphini, um pequeno formato que fala do único assunto de todo o teatro: o ser humano. Aqui recuperando uma estalajadeira cheia de saúde e o prazer de formas já inventadas, como os caretos, o romanceiro tradicional ou os teatros de bonecos, de que ainda conhecemos como nobre exemplo os de Santo Aleixo. Fazendo conviver uma sanfona com um jovem baterista e dando ainda a ouvir algumas frases como esta: “a maior loucura que um homem pode fazer nesta vida é deixar-se morrer sem mais nem menos, sem ninguém o matar, nem outras mãos que o acabem a não ser as da melancolia”.   É um conselho de Sancho ao seu velho amigo Quixote.

Um espectáculo de Luis Miguel Cintra com Duarte Guimarães (o Diabo e Mestre Pedro), Ivo Alexandre (Sancho Pança), João Reixa (Dom Quixote), Sofia Marques (a Rainha e a Estalajadeira), Vicente Moreira (O Cupido, o Mamarracho, o Rapaz) e os músicos Diogo Sousa (Percussão e o Anjo) e Hugo Osga (Sanfona, Gaita de foles e Imperador).

A partir da tradução de José Bento de D. Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, publicada pela Relógio d'Água.

Direcção de produção e comunicação: Levi Martins / Assistentes de encenação: Duarte Guimarães e Sofia Marques / Guarda-roupa e adereços: Ana Simão / Luz: Luis Miguel Cintra e Rui Seabra Cartaz: Luis Miguel Cintra / Execução gráfica: António Santiago Co-produção: Companhia Mascarenhas-Martins, Museu da Marioneta

 

Aguarde um momento...